O Encilhamento e suas consequências na República Velha

Por prof. Leo Martins

A política do encilhamento foi uma ação econômica ocorrida durante o governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) com a finalidade de diversificar a economia brasileira, que naquele momento era extremamente dependente do café. Precisávamos industrializar o Brasil. Tal política ficou conhecida como “encilhamento” porque encilhar é o ato de colocar a cilha (cinta) na cavalgadura para prender a sela ou a carga. No hipismo, trata-se do preparativo para entrar com o cavalo na pista. Um momento de muita tensão para apostadores. Analogamente, era como se o Brasil se preparasse para um novo momento: a industrialização. E um dos preparativos principais naquela conjuntura era facilitar o crédito aos investidores e emitir papel-moeda.

Para que serviu o encilhamento?

O então ministro da fazenda Rui Barbosa, adotou como ações na política do encilhamento o aumento da emissão de papel moeda e a liberação de crédito. A política emissionista tinha o objetivo de pagar os trabalhadores assalariados, que haviam crescido muito no Brasil desde o fim da escravidão e da grande imigração europeia. Antes da abolição, o dinheiro circulava apenas nas mãos de pessoas ricas. Após o fim da escravidão, o mercado consumidor aumentou e, com ele, a circulação de dinheiro.

A liberação de crédito tinha a finalidade de fazer os investidores olharem para o segmento industrial e abrir fábricas e indústrias, e assim diversificar a nossa economia. Rui Barbosa dividiu o Brasil em quatro regiões, autorizando em cada uma delas um banco emissor: Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. Assim, ele buscava estimular o surgimento de novas empresas e pagar salários.

O que aconteceu depois?

Os resultados dessa política emissionista foram trágicos: altos índices inflacionários, empresas fantasmas e muita especulação na bolsa de valores. Pessoas pegavam o crédito, criavam grandes empresas no papel, projetos grandiosos e vendiam papéis dessas empresas e projetos fictícios na bolsa. Pessoas fizeram fortuna da noite para o dia. Muitos fazendeiros se aproveitaram dessa política para criar empresas fantasmas e investir no café. A política do encilhamento (1890) trouxe sérios problemas à economia brasileira.

O encilhamento trouxe também sérias dificuldades aos presidentes seguintes, que constantemente precisavam administrar os altos índices inflacionários e as insistentes especulações na bolsa de valores. Porém, os barões do café ficaram felizes com o fracasso da tentativa de industrializar o Brasil. Eles não queriam dividir os benefícios do governo com outro segmento econômico, no caso a indústria. Assim, a República Velha viveria a supremacia da agro exportação, com o café como carro-chefe até 1930. Em uma próxima aula, vamos falar sobre como o Brasil deixou o modelo agrário para o industrial. Até lá!

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