O Realismo: a literatura do embate

Por: prof. Laís Carballal

O Realismo é, assim como os seus antecessores, um dos estilos literários mais interessantes da literatura brasileira. No ensino médio, suas obras são as mais requisitadas para leitura obrigatória e, além disso, tal movimento literário é recorrente em concursos públicos e no coração dos leitores. Por essa razão, fica a convocação: Seja por motivos de preparação ou lazer, a leitura de obras realistas é um bom hábito.

O Realismo na Europa

O movimento literário realista, na Europa, se inicia no século XIX. Nesse período histórico, crescia a insatisfação dos intelectuais em relação aos ideais românticos, gerando agitações de ordem política, social e cultural.

Por isso, o marco do Realismo é a Questão Coimbrã, que caracterizava a lucidez – gerada por ideias oriundas da Alemanha, França e Inglaterra – de estudantes do centro educacional de Coimbra. A juventude de 1860 foi quem levou adiante essa revolução na literatura portuguesa.

Nesse sentido, os jovens passaram a se reunir, formando grupos cujo objetivo é promover palestras. Com a popularização dos debates, eles se tornaram conhecidos como Conferências Democráticas do Casino Lisbonense. Um dos célebres participantes é Eça de Queiroz.

Em Portugal, os principais artistas realistas são Antero de Quental, com as obras “Bom senso e bom gosto” (1865), “Causas da decadência dos povos peninsulares” (1871) e “Odes Modernas” (1865) e Eça de Queiroz, com “Os Maias” (1888), “O Primo Basílio” (1878), “O Mandarim” (1887), “A Relíquia”(1887) e “O Ministério da Estrada de Sintra” (1870) . Na França, temos como destaques Gustavo Flaubert, autor de “Madame Bovary” (1856) e “Educação sentimental”(1869), como principal representante.

O contexto histórico do Realismo na Europa

Diversos marcos históricos são importantes para compreender a atmosfera que circundava o estilo realista. Dentre eles, pode-se citar o desenvolvimento do pensamento científico, o evolucionismo de Darwin e a segunda fase da Revolução Industrial.

O Realismo no Brasil

O Realismo, no Brasil, se inicia com “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), de Machado de Assis. Por aqui, o movimento literário ocorreu no final do século XIX e, portanto, possui características contrapostas ao estilo anterior, isto é, o Romantismo. Veja um trecho desse célebre livro:

“Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia – algumas vezes gemendo -, mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia: – “Cala a boca, besta!”

Contexto histórico do estilo realista no Brasil

Na segunda metade do século XIX, o território brasileiro apresentava um cenário muito agitado, marcado por algumas influências da Europa, como, por exemplo, as correntes do cientificismo, positivismo e teorias sociais. Além disso, o Brasil estava em plena Guerra do Paraguai. No campo trabalhista, a assinatura da Lei Áurea, levaria à substituição da mão de obra escrava pela mão de obra de imigrantes assalariados. Estavam em alta o abolicionismo, que se mesclava à expectativa da crise da monarquia, para que desse lugar ao regime republicano.

Esse contexto de transição levou à queda da sociedade aristocrático-escravista, acelerando o processo de ascensão do capitalismo industrial e o surgimento da indústria brasileira.

Principais características do Realismo brasileiro

As características da literatura do estilo realista estão diretamente relacionadas ao contexto histórico. São elas:

Evolucionismo

Teoria criada por Charles Robert Darwin para explicar as alterações sofridas por espécies de seres vivos ao longo do tempo, o Evolucionismo relaciona-as ao meio ambiente onde elas habitavam. Para Darwin, evoluir é mudar biologicamente e o conjunto de mudanças sofridas por uma espécie de seres vivos promovia a adaptação da mesma ao ambiente em que vive. Esse processo chamou-se seleção natural. No âmbito social, a teoria de Darwin gerou o conceito de Darwinismo Social, em que há a crença de uma sociedade ser superior a outra.

Positivismo

Corrente filosófica oriunda da França, idealizada por Auguste Comte e John Stuart Mill, o Positivismo defende uma coexistência baseada em valores completamente humanos, afastando-se da teologia e metafísica. Dessa maneira, para o Positivismo, o conhecimento científico é o único saber verdadeiro.

Objetividade

Característica predominante na estética realista, pois funciona como um repúdio ao sentimentalismo e subjetividade dos artistas românticos.

Racionalismo

De acordo com o Racionalismo no Realismo, a explicação dos fenômenos sociais era fundamentada na ciência, que representava a razão.

Além destas características, no Realismo, temos:

  • Universalismo, pois há o repúdio à subjetividade.

  • Denúncia social, que ocorria principalmente em relação à família patriarcal burguesa e separação entre Estado e religião

  • Detalhismo, que era utilizado pelos autores para promover um retrato mais fiel da realidade.

O Realismo brasileiro, então, foi marcado por temáticas que abordavam questões sociais e contemporâneas de sua época. Sendo assim, ela se caracteriza por ser uma literatura persuasiva, cujo objetivo é gerar o convencimento do leitor sobre o juízo de valor dos artistas. Geralmente, o juízo de valor atribuído estava fortemente relacionado ao ideal republicano e abolicionista.

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